domingo, 31 de janeiro de 2010


Cada instante de amor custa-nos horas,
Infindas horas de aflitiva espera,
A mim, que ao pé de ti viver quisera,
A ti, que ao pé de mim ditosa foras.



P'lo contrário, a existência tem demoras,
Um vagar que os amantes dilacera,
Se unidos, como ansiavam noutra era,
Sentem do tédio as garras malfeitoras.



O tempo assim concede, por demência,
Inútil pão a sonhos já defuntos,
Negando-os aos que ardem vivos e esfomeados.



Deus do Céu! Por justiça e por clemência,
Separa os desavindos, que estão juntos,
E junta os que se adoram separados.


Eugénio de Castro

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